Dólar segue instável ante real com incertezas globais

. REUTERS/Ricardo Moraes/File Photo

SÃO PAULO (Reuters) – O dólar alternava leve queda e estabilidade ante o real no começo do pregão desta quarta-feira, já longe das mínimas do dia, depois de uma abertura mais positiva para a moeda brasileira na esteira do movimento no exterior e de dados favoráveis no Brasil.

O sentimento seguia fragilizado pelo ressurgimento de casos de Covid-19 no mundo e pelos riscos de seus potenciais efeitos econômicos.

Christopher Lewis, analista do DailyForex, avalia que a marca de 5,50 reais tem oferecido resistência nas últimas semanas, mas que é “apenas questão de tempo” antes de a moeda superá-la. Esse movimento abriria caminho para a região de 5,60 reais e, eventualmente, para máximas próximas de 6 reais.

“Acho que o nível de 5,0 será uma barreira significativa que deveria atrair muita pressão compradora. No fim, acho que neste momento é muito mais fácil comprar o par dólar/real do que vendê-lo, devido a todos os riscos associados com o Brasil e a América Latina”, disse.

Às 9:41, o dólar avançava 0,14%, a 5,3930 reais na venda. Na mínima, a cotação cedeu 0,81% e zerou a queda na máxima.

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 0,32%, a 5,3975 reais.

O dólar foi às mínimas logo após a abertura, na esteira de dados de vendas no varejo no Brasil, cujo crescimento acima do esperado para maio fortalecia esperanças de que o pior para a atividade tenha ficado para trás.

As vendas no varejo saltaram 13,9% em maio sobre abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto analistas consultados pela Reuters projetavam acréscimo de 6,0%. Na comparação anual, houve queda de 7,2%, abaixo do tombo de 12,1% previsto.

O BTG Pactual (SA:BPAC11) digital classificou os resultados como “muito acima da expectativa” e avaliou que, apesar do cenário “ainda repleto de incertezas, o forte crescimento deve animar investidores, na medida em que indica uma recuperação da atividade econômica”.

Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou que o IGP-DI subiu 1,60% em junho, mais que o esperado, com os preços do atacado acelerando e voltando a se elevar no varejo. A combinação de dados econômicos melhores e leituras de inflação mais altas pode barrar expectativas adicionais de cortes de juros pelo Banco Central, evitando nova deterioração nas análises de risco/retorno para o real.

No exterior, o índice do dólar ante uma cesta de moedas tinha leve queda de 0,12%, mas mostrava depreciação mais forte contra divisas de risco, como peso mexicano e peso chileno.

(Por José de Castro)

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