Dólar cairá para R$ 3,80 se as notícias forem tão boas quanto as de hoje, diz economista

SÃO PAULO – O dólar, na forte alta do último pregão, já mostrou que possui um teto psicológico importante nos R$ 4,00, ao mesmo tempo em que tem dificuldades de cair abaixo de R$ 3,90.

Contudo, para a economista-chefe e estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte, a moeda americana pode voltar a R$ 3,80 se as notícias sobre a articulação do governo para a aprovação da Reforma da Previdência forem tão boas quanto as recentes. 

Na terça-feira, foi amplamente divulgado que o presidente Jair Bolsonaro estuda dividir o Ministério do Desenvolvimento Regional para recriar o Ministério das Cidades e o Ministério da Integração Nacional. Como a pasta das Cidades é uma das mais cobiçadas pelo Centrão e o nome do secretário de Transportes de São Paulo, Alexandre Baldy (PP-GO), é o mais cotado para assumir o recriado Ministério, a medida foi vista como um ótimo sinal da boa vontade do governo em negociar para a aprovação. 

Além disso, hoje o PSL mostrou mais afinco na defesa do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão Especial da Câmara dos Deputados do que ocorrera na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). 

Consorte entende que essas notícias são os principais motivos pelos quais o dólar caiu 1% hoje, a R$ 3,93. “O governo está melhorando no seu principal ponto fraco, que eram os problemas de articulação política”, afirma. “O dólar abaixo de R$ 3,90 é bastante possível nos próximos dois meses se tivermos mais sinais como o de hoje”, acrescenta a especialista. 

Na opinião de Consorte, a apreciação do real poderia levar a cotação do dólar até R$ 3,80, tornando a nova margem de negociação da moeda o patamar entre R$ 3,85 e R$ 3,90, em vez da banda atual de R$ 3,90 a R$ 4,00. “Mas isso está nas mãos do Congresso”, ressalva. 

Já o dólar acima de R$ 4,00 viria da combinação de uma reforma sendo muito desidratada já na Comissão Especial, com outra reviravolta no cenário externo. Hoje, o exterior está mais calmo e o dollar index mais comportado depois de o presidente americano, Donald Trump, admitir que a China quer renegociar os termos para pôr fim à guerra comercial.

Entretanto, os últimos dois dias foram de diversos sustos com os tuítes de Trump no fim de semana ameaçando a imposição de tarifas de 25% em mais de US$ 200 bilhões em produtos chineses. 

“Mudanças bruscas de cenário acontecem e volatilidade vai continuar”, conclui Consorte

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